Uma nova oportunidade para os serviços gerais

 

Um dos maiores pesadelos de todos os empresários e recrutadores é ter que lidar, cotidianamente, com a chamada “mão-de-obra não-especializada”. Isso consiste em tentar encaixar um profissional numa função geralmente nem um pouco nobre, torcendo para que ele tenha um bom desempenho. Essa dificuldade ocorre porque a maioria das pessoas acredita que funções de base não merecem grande remuneração. Logo, se você oferece um salário baixo, não espere ter um excelente profissional no exercício daquela função, já que, importante lembrar, os bons profissionais colocam-se e recolocam-se muito facilmente no mercado de trabalho, independente de seu currículo acadêmico!

Eu estava prestando consultoria para uma empresa do setor de alimentos. Tratava-se de um restaurante com sérios problemas tanto na contratação quanto na manutenção de pessoal. O contrato que havíamos feito era de curto prazo, e o objetivo principal era identificar os gargalos que interferiam no bom andamento dos serviços, mas especialmente aqueles os quais denominamos “serviços gerais”.

Um diagnóstico claro aconteceu já na primeira semana. O estabelecimento estava repleto de “funcionários de ocasião”, aqueles que, não tendo outra opção, terminaram por aceitar um serviço “quebra-galho”.

Quando você vai a um restaurante, não é difícil entender a diferença entre um bom garçom, maitre, sommelier, chef ou qualquer outro profissional da área, de um funcionário de ocasião. Os primeiros, são capazes de um atendimento primoroso, de altíssimo nível. Já os outros, eles atenderão da melhor maneira que puderem, e isto quase sempre se constitui num verdadeiro desastre! Mas entenda, os funcionários de ocasião não merecem levar a culpa! Nem tampouco seus patrões, que geralmente possuem altos custos operacionais a serem cobertos.

Dizem que profissionais qualificados costumam ser caros! Bem, isto não é totalmente uma verdade. Profissionais qualificados trazem retorno: Se pagam e dão lucro às empresas onde trabalham! Eles não desperdiçam tempo, insumos, e seu nível de humor está sempre em equilíbrio. Gostam do que fazem e isso os coloca num patamar diferenciado! Não se importam de chegar mais cedo, nem de sair mais tarde. Estão sempre empenhados em proporcionar a melhor experiência possível aos clientes e sabem que farão aquilo pelo resto de suas vidas.

Funcionários de ocasião tendem a adquirir um senso de humor instável, explosivo. Por terem pouco ou nenhum vínculo afetivo com aquilo que fazem, tendem a chegar em cima da hora ou atrasados, fazem tudo com pressa de ir embora, adoecem com mais frequência e, portanto, vivem de licença médica em licença médica. Sabem que não ficarão naquele emprego por muito tempo, já que gostariam de estar fazendo outra coisa, consequentemente não se empenham em melhorar os serviços. Sentem-se infelizes no trabalho e isso cria tensão entre eles e seus superiores, pois a antipatia pela função é transferida ao gerente do estabelecimento, e consequentemente ao patrão.

Numa via de duas mãos, o patrão tende a acreditar que aquele funcionário é preguiçoso, desleixado e, por isto, puxa-lhe as orelhas, chama-lhe a atenção na frente dos outros e aumenta-lhe a pressão. Por sua vez, o funcionário tende a acreditar que o patrão é injusto, tirano, e que se dá bem às suas custas, passando a cometer pequenas vinganças tais como atender mal os clientes, manusear utensílios com descuido a ponto de danifica-los, e assim por diante.

O que ambos, patrão e funcionário não sabem, é que nem um, nem outro tiveram opção! E, portanto, os dois lados precisam saber disto! Somente desta forma, serão capazes de consolidar uma aliança que lhes permita uma saída justa! Coloca-los frente a frente mostrando as complexidades, as diferenças, os riscos do negócio, etc., ajuda a criar uma perspectiva igualitária, eliminando o falso conceito de que um é tirano e outro, preguiçoso.

Isso nos fará concluir que a maioria daqueles profissionais que julgamos “incompetentes”, na verdade estão exercendo o ofício errado! Eles são pássaros fora do ninho, peixes fora d’água, pois estão completamente fora de seu elemento e, naturalmente, são incapazes de produzir em nível elevado, caso estivessem exercendo algo dentro de sua Missão de Vida!

Todos nós, em algum momento de nossas vidas, precisamos exercer ofícios que não nos trazem satisfação. No entanto, eles são necessários e em muito contribuem para asfaltar o caminho que nos levará ao topo da realização!

Tome como meta realizar com excelência até mesmo aquelas coisas que você não gosta de fazer. Lembre-se que os piores trechos é que necessitam de uma melhor pavimentação a fim de que a estrada se torne algo seguro!

 

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