Lembra quando nossos pais nos olhavam atravessado?

 

Em minha experiência como Aconselhador, perdi as contas de quantas pessoas, em algum período da infância, receberam um olhar atravessado de seus pais. Vamos, então, conversar um pouco sobre isso?

À propósito, você já passou por essa experiência, e compreendeu direitinho o que o pai/mãe quis dizer apenas com o olhar?

É consenso que as crianças são, por natureza, bagunceiras. Elas adoram fazer barulho, correr, gritar e, não raro, acabam trombando com alguma coisa. Quem já não quebrou algum objeto de vidro, uma imagem de gesso da vovó, uma ferramenta de trabalho do vovô; deixou cair comida na roupa, ou pior, derrubou algo no chão? Pois é, se você não fez isso, provavelmente sua infância passou batido!

“⎼ Meu pai era muito austero!” – disse-me, certa vez, uma cliente. “⎼ Bastava que ele olhasse e eu tremia inteira! Era a forma dele nos avisar que havíamos ultrapassado os limites!”

Afinal de contas, qual o problema em educar os filhos de maneira mais austera? Bem, o problema não está no olhar, mas sim na comunicação que este olhar está transmitindo!

Mais que uma reprimenda, na maior parte das vezes, um olhar atravessado de nossos pais representava uma tentativa de intimidação! Eles foram educados dessa forma. Afinal de contas, também receberam olhares atravessados de seus pais! Logo, é provável que sequer soubessem as feridas que isto poderia causar.

O resultado é que temos várias gerações de pessoas emocionalmente frágeis, e uma boa parte delas, afetivamente fracassadas, envoltas em relacionamentos problemáticos, que mais lhes trazem conflitos existenciais do que proporcionam um ambiente onde possam se desenvolver como seres dignos de encontrar e conviver com a felicidade!

Mas há um fenômeno interessante, que vem ocorrendo, de maneira esparsa, há pelo menos 4 gerações, quando alguns filhos eram capazes de questionar sobre o que podiam e o que não podiam fazer; e de maneira efetiva há pelo menos 3 gerações, quando se tornou necessário que os pais abrissem um diálogo mais franco, explicando as razões das coisas para seus filhos. Logo, se há alguns anos, bastava um simples olhar para que os filhos entendessem, atualmente é necessário um cabedal de argumentações!

Aquela estória de “porque eu mando!” já não funciona mais! Ou você argumenta usando a lógica e o bom senso, ou seu filho fará determinar aquilo que o apuradíssimo senso de julgamento que ele já traz consigo. E acredite, cada dia que passa eles nascem sabendo mais e mais coisas!

O melhor método de educação se aplica através do exemplo. Logo, para que você conquiste o respeito de seu filho, é necessário respeitá-lo como indivíduo que ele é. Tenha em mente que seu filho sabe exatamente o que significa individualidade, e por esta razão, irá questionar sobre a liberdade como ele se expressa, sobre os gostos que possui, sobre o espaço dele, sobre até onde ele deve/ou quer ir, e assim por diante.

O que muitos por aí dizem, de que esse mundo está perdido, no fundo é um forte aviso de que nós, os mais “antigos”, precisamos atualizar nosso “software” e, definitivamente aderir ao espírito do Terceiro Milênio!

No momento em que nos atualizarmos, estaremos evitando repassar às próximas gerações, aqueles conflitos emocionais que hoje consistem no grande problema da humanidade. Todos estamos emocionalmente doentes. É verdade! Mas nossos filhos e netos, estes já escolheram não viver desta forma! Por esta razão, quase sempre são confundidos como crianças mal-educadas, o que é um terrível engano. Nossos filhos já nasceram dotados de um número imenso de potenciais, virtudes e qualidades que lhes proporcionarão transformar este mundo num lugar absolutamente melhor, mais justo, ético, ecológico, etc.. Contudo, nosso dever é ajudá-los a estabelecer contato com seus próprios potenciais e fornecer meios para que eles se desenvolvam.

Precisamos, com urgência, aprender a linguagem de nossas crianças! Pois a nossa linguagem, já não lhes servem mais!

Finalmente, permita-me fazer algumas poucas perguntas:

Como era o seu ambiente familiar, durante a infância e adolescência? Harmonioso? Conflituoso?

Como é o ambiente familiar de seus filhos? Harmonioso? Conflituoso?

Então reflita e mude de hábitos!

 

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