Arqueologia Familiar

Há uma teia que nos liga uns aos outros. No fim das contas, somos parte de um todo e, como tal, nos influenciamos mutuamente. Todos os pensamentos, sentimentos e atitudes que lançamos durante nossa existência, não se encerram com a morte. Ao contrário, formam um arcabouço. E ainda que sejamos esquecidos no futuro, nossos resquícios existenciais perdurarão por longos séculos de modo que afetarão as futuras gerações.

Este arcabouço faz o papel de fonte inspiradora, para onde nos voltamos quando é necessário buscar referências sobre nós mesmos; quando precisamos construir nosso caráter e, finalmente, quando estamos compondo nossa personalidade, com a qual lidaremos até o final da vida. Chamamos este arcabouço - que nada mais é do que um infinito reservatório de energia à nossa disposição - de Alma Familiar.

Todos nós temos uma história, uma origem. E a Arqueologia Familiar vem trazer luz à essa proposta de busca, independente de nossas crenças religiosas, cultura ou da técnica a ser empregada, justamente porque se trata de um caminho tão fácil de ser percorrido que, para obter algumas respostas, basta perguntar aos mais velhos. E num contexto mais amplo, podemos utilizar diversas outras ferramentas de abordagem sistêmica.

No final, essa busca através do caminho que nossos ancestrais percorreram, lançará a luz do esclarecimento para que possamos caminhar rumo ao futuro, deixando para as gerações vindouras sementes de prosperidade. Em verdade, já estamos fazendo isso!

Quando viemos ao mundo, trazemos conosco uma extensa bagagem espiritual. Esta bagagem é resultado de um longo período em que nós, enquanto espíritos imortais, atravessamos a noite dos milênios galgando todo um complexo sistema evolutivo, descrito pela Teosofia como Cadeias de Evolução. Disto resulta nossa individualidade em seu sentido mais profundo. A forma como reagimos às coisas, as diferenças de gênio e personalidade em relação aos nossos pais e irmãos bem como a maneira como devolvemos nossas qualidades e imperfeições ao mundo que nos cerca, todos estes fatores são respostas àquilo que somos enquanto espíritos, numa autêntica manifestação de nossa individualidade.

Contudo, há também um fator que tende a potencializar/limitar nossas qualidades e imperfeições, e que está diretamente ligado ao campo familiar do qual fazemos parte. Isto porque, quando
nascemos, nos vinculamos aos laços de um sistema que possui leis, regras, modos de comportamentos, crenças e uma série de outras características que afetam de maneira ampla e profunda. Desta forma, não herdamos somente os patrimônios genético e material, mas fundamentalmente aquele de ordem comportamental onde cada família possui seu próprio esquema. Este aspecto determina a forma como iremos lidar com a coletividade.

Portanto, os campos da individualidade e da coletividade interferem e determinam nossos gostos, potenciais, mas também limitam ou expandem nossas capacidades no que diz respeito à alcançar a felicidade, saúde, bem-estar, estabelecer relações afetivas duradouras, sermos bem sucedidos profissional ou economicamente e até mesmo atrair determinados tipos de doenças, desventuras ou situações que nos tragam problemas difíceis de serem resolvidos.

Mergulhados neste universo chamado Alma Familiar, acabamos por nos desenvolver sem ter consciência sobre como sua gigantesca força age sobre nós. Apenas experimentamos sensações que muitas vezes nos derrotam, amedrontam, congelam, desencorajam e, por conseguinte, nos fazem cometer determinados atos sem perceber, e dos quais terminamos por nos arrepender mais adiante – ou cujas consequências poderão respingar nas pessoas que tanto amamos.

Este campo de energia possui um Plano Essencial que também é um Plano de Amor. Trata-se de um campo criado para alimentar a todos os seus membros pertencentes. Se, porém, algum acontecimento ou ato provocado atentar contra a integridade da Alma Familiar, imediatamente esta inicia, através de um movimento dinâmico, todo um processo de reparação, que funciona, nos mais das vezes como uma enxurrada à arrastar vários de seus membros: a reparação é uma exigência cega da Alma Familiar!

De acordo com a experiência de trabalho, percebemos que a ação de reparação da Alma Familiar influencia diretamente até seis gerações. Depois disto seus efeitos vão enfraquecendo, porém só cessam à partir do momento em que tomamos consciência sobre sua origem e fazemos algo para compensar isto.

A Arqueologia Familiar tem como objetivo analisar e identificar vários destes aspectos, desde o campo espiritual profundo até o campo de manifestação (onde ocorrem os sintomas, doenças, comportamentos, etc.) que influencia a forma como os membros de uma família interagem uns com os outros, fornecendo providências e subsídios para que a Alma Familiar estabilize bem como cada membro do grupo familiar encontre seu devido e justo lugar, obtendo e dando o reconhecimento de/ou para cada indivíduo com o qual esteja direta ou indiretamente vinculado.

Ao identificar, temos a condição de resolver determinados emaranhamentos que nos vinculam ao sofrimento e que traspassam várias gerações, inclusive aquelas vindouras; resolução que nos coloca numa condição onde poderemos usufruir desta incomensurável fonte de poder à fim de construirmos uma vida próspera e repleta de bons acontecimentos!

A memória familiar é tecida ao longo dos séculos, através das gerações. É formada por histórias, legados, lendas, sistema de crenças, de fatos que são frequentemente lembrados, mas também de situações que foram esquecidas - proposital ou naturalmente,  e que por isto se perderam no tempo, saíram de nosso campo de percepção e se encontram imersas nas profundezas deste grande baú. Ainda, a memória familiar proporciona a coesão e integração social, auxilia na construção de nossas identidades e vai adquirindo novos significados na medida em que muitas verdades passadas se tornam mitos e lendas no imaginário de seus membros familiares.

Consideramos que a memória familiar é um processo de interação constante entre as gerações - e envolve vivos e mortos, abrange o coletivo e o individual e entrelaça os membros familiares uns aos outros, mesmo aqueles que estejam separados por gerações - que tiveram muito pouco convívio ou que sequer se conheceram: um trisavô em relação a seu trisneto estão ligados por laços de afetividade!

Se, por exemplo, nossos antepassados precisaram fugir de uma guerra levando consigo alguns poucos pertences, ignoramos o sofrimento que tiveram, as privações pelas quais precisaram passar, suas tristezas e angústias bem como a maneira como encontraram para subsistir; se havia crianças ou bebês de colo...

Sabemos que durante toda a história da evolução os seres humanos conviveram de perto com centenas de cataclismos naturais. Estes acontecimentos provocaram milhares de mortes, marcando para sempre as vidas daqueles que sobreviveram, e, de alguma forma precisaram seguir, reconstruindo e superando as marcas deixadas pela dor da perca de seus entes queridos além das provações impostas pela fome, doenças, entre grupos, etc.. A grande questão é que muitos destes sobreviventes - mesmo aqueles mais distantes, de milênios atrás - são de fato nossos antepassados. Consequentemente, tudo aquilo que viveram encontra-se armazenado em nossa memória familiar, faz parte de nossa própria história, influencia nosso desenvolvimento, interfere nas escolhas e tomadas de decisões!

A Arqueologia Familiar auxilia na reconstrução de nossa rede sociométrica, analisando a expansão de nossa família como um todo, caminhos que os mais diversos membros seguiram bem como os destinos que alcançaram - funestos ou de prosperidade. Tal reconstrução permite alcançar um parâmetro de equilíbrio e conformidade relacionado àquelas memórias que muitas vezes afetam nosso bem viver e - como já o dissemos - nos dificultam alcançar objetivos relacionados ao bem estar e realização pessoal.